1. América Latina

A América Latina é uma região da América onde são faladas primordialmente línguas românicas (derivadas do latim) – particularmente o espanhol, o português e, ocasionalmente, o francês. A América Latina tem uma área aproximada de 21,069,501 km², cerca de 3.9% da superfície da Terra, ou cerca de 14.1% da sua superfície terrestre. Em 2008, a sua população estava estimada em mais de 569 milhões de habitantes.

Os demais países americanos restantes tiveram colonização majoritariamente anglo-saxônica, com exceção de Québec, que é de colonização francesa (portanto, latina) e dos estados do sudoeste dos Estados Unidos, de colonização espanhola, além da Luisiana, que tem colonização francesa.

A América Latina engloba 20 países: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Uruguai e Venezuela. Ainda, na América Latina, existem mais 11 territórios que não são independentes, portanto não podem ser considerados países, mas, ainda assim, latinos.

 

 

A expressão América Latina teria sido cunhada pelo imperador francês Napoleão III, que citou a região e a Indochina como áreas de expansão da França na metade do século XIX. Deve-se também observar que na mesma época foi criado o conceito de Europa Latina, que englobaria as regiões de predomínio de línguas românicas. Pesquisas sobre a expressão conduzem a Michel Chevalier, que mencionou o termo América Latina em 1836, durante missão diplomática feita aos Estados Unidos e ao México.

Ao final da Segunda Guerra Mundial, a criação da CEPAL consolidou o uso da expressão como sinônimo dos países menos desenvolvidos dos continentes americanos, e tem, em consequência, um significado mais próximo da economia e dos assuntos sociais.

 

A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (português brasileiro) ou Comissão Econômica para a América Latina e Caraíbas (português europeu) (CEPAL) foi criada em 1948 pelo Conselho Econômico e Social das Nações Unidas com o objetivo de incentivar a cooperação econômica entre os seus membros. Ela é uma das cinco comissões econômicas da Organização das Nações Unidas (ONU) e possui 44 Estados e oito territórios não independentes como membros. Além dos países da América Latina e Caribe, fazem parte da CEPAL o Canadá, França, Japão, Países Baixos, Portugal, Espanha, Reino Unido, Itália e Estados Unidos da América. A atual secretária-executiva da CEPAL é a economista mexicana Alicia Bárcena.

 

http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Paises_membros_CEPAL.png

 

http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Alicia_B%C3%A1rcena_Ibarra,_World_
Economic_Forum_on_Latin_America_2009_2.jpg (pesquisado em 22/04/2011)
 

Convém observar que a ONU reconhece a existência de dois continentes: América do Sul, e América do Norte, sendo que esta última se subdivide em Caribe, América Central e América do Norte propriamente dita, englobando México, Estados Unidos e Canadá, além das ilhas de Saint Pierre et Miquelon, Bermudas e a Groenlândia.

  • As antigas colônias neerlandesas Suriname, as Antilhas Neerlandesas, e Aruba não são habitualmente consideradas partes da América Latina, embora a segunda língua mais falada seja o Papiamento, linguagem de influência ibérica, falada pela maioria de sua população.
  • Às vezes, particularmente nos Estados Unidos, o termo América Latina é utilizado para se referir a todos os americanos ao sul dos EUA, incluindo também países como Jamaica, Barbados, Trinidad e Tobago, Guiana e Suriname onde o idioma não-Romance prevalece.

 

1.1 Luta pela independência

As colônias do Império Espanhol na América.

As colônias da América Latina permaneceram sob domínio europeu por mais de 300 anos. De 1791 a 1824, a maioria das colônias lutou em guerras que as libertaram do jugo europeu. Cada país teve seus próprios heróis revolucionários, mas dois homens destacaram-se como líderes da independência latinoamericana. Um é o general venezuelano Simón Bolívar (1783-1830), cujas vitórias deram a liberdade à Bolívia à Colômbia, ao Equador, ao Peru e à Venezuela. O outro é José de San Martín (1778-1850), general argentino que liderou um exército, partindo da Argentina, e ajudou na independência do Chile. Colaborou, também, para a libertação do Peru.

 

 

 

1.2 A América Latina independente

Relações comerciais da América Latina

A economia da maioria dos países latinoamericanos depende, em grande parte, de produto agrícolas e minerais que exportam para a Europa e os Estados Unidos Em contrapartida, a América Latina importa da Europa e dos Estados Unidos a maioria dos artigos manufaturados de que necessita. Tem havido pouco intercâmbio comercial entre os países da América Latina, porque a maioria deles produz principalmente matérias-primas. Contudo, após a Segunda Guerra Mundial, a indústria manufatureira desenvolveu-se rapidamente em vários países, especialmente na Argentina, no Brasil, no Chile, no México e na Venezuela.

O crescimento industrial levou à realização de muitas conferências, na década de 1950, que visavam a incremcntar o intercâmbio comercial entre os países latinoamericanos. Finalmente, em fevereiro de 1960, numa reunião realizada em Montevidéu, Uruguai, foi formada a Associação Latino-Americana de Livre Comércio (ALALC). Sete países assinaram o acordo da ALALC: Argentina, Brasil, Chile, México, Paraguai, Peru e Uruguai. Em 1961, Colômbia e Equador aderiram à ALALC. A Venezuela entrou para a ALALC em 1966, e a Bolívia em 1967. Os países participantes concordaram em eliminar grande parte das restrições comerciais entre eles, inclusive restrições alfandegárias e tarifárias, até 1980. As tarifas vêm sendo gradualmente reduzidas. A Associação Europeia de Livre Comércio serviu de modelo à ALALC.

Em dezembro de 1960, quatro países da América Central formaram uma organização semelhante à ALALC. El Salvador, Guatemala, Honduras e Nicarágua assinaram um tratado de Integração Econõmica Centro-Americana. Em 1963, a Costa Rica ingressou nesta organização, geralmente chamada de Mercado Comum Centro-Americano.

A despeito dos inúmeros problemas, o comércio entre as nações latinoamericanas tem crescido, por influência de dois ou três acordos. O Chile, por exemplo, está importando do México e do Brasil o algodão que anteriormente ia comprar nos Estados Unidos. O México vende aço para vários países sulamericanos, e produtos manufaturados brasileiros, como máquinas de escrever e computadores, são vendidos no Chile e no Paraguai. Em 1969, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador e Peru assinaram um acordo econômico chamado Pacto Andino. Os países convencionaram acabar, até 1980, com as barreiras comerciais entre eles.

 

 

 

 

 

1.3 Conferências panamericanas

Simón Bolivar compreendeu a importância de se reunirem representantes das Américas. Em 1826, convocou uma conferência que visava reunir todas as novas repúblicas latino-americanas sob um só governo. Mas as nações não concordaram. Por mais de 60 anos, certas desconfianças nacionalistas impediram que as repúblicas tomassem qualquer medida para uma cooperação internacional.

Finalmente, em 1890, os Estados Unidos e as repúblicas latinoamericanas formaram a União Internacional das Repúblicas Americanas. Esta organização criou o Escritório Comercial das Repúblicas Americanas, que, em 1910, teve seu nome mudado para União Pan-Americana. O propósito da União Pan-Americana era estreitar as relações econômicas, culturais e políticas entre os países participantes. No início do século XX, foram realizadas várias reuniões. Em 1933, em Montevidéu, no Uruguai, os países membros comprometeram-se a não interferir nos assuntos internos uns dos outros. Em 1936, em Buenos Aires, na Argentina, comprometeram-se a manter a paz no hemisfério ocidental.

Durante a Segunda Guerra Mundial, as repúblicas latino-americanas fixaram uma posição comum contra a Alemanha, a Itália e o Japão. Em 1947, o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca, ou Tratado do Rio de Janeiro, declarava que os Estados Unidos, e 19 países latinoamericanos resolveriam seus problemas pacificamente e que a agressão armada contra um deles seria considerada como agressão contra todos eles. Apenas a Nicarágua foi excluída, porque a maioria das outras nações não reconhecia o seu governo.

A Organização dos Estados Americanos (OEA) foi criada na nona Conferencia Pan-Americana, realizada em Bogotá, na Colômbia, em 1948. Inicialmente era constituída por 20 repúblicas latino-americanas e os Estados Unidos. Em 1962, Cuba, por ter um govemo comunista, foi expulsa. Neste mesmo ano, os países da OEA, apoiaram o bloqueio dos Estados Unidos para impedir o desembarque de mísseis russos em Cuba. Em 1964, a OEA serviu de mediador na polêmica entre Estados Unidos e Panamá sobre as condições na Zona do Canal do Panamá. A OEA procura encontrar soluções pacíficas para todos os problemas surgidos entre seus membros, além de defender os princípios de justiça social, cooperação econômica e igualdade entre os homens, independente de raça, nacionalidade ou credo. Em 1970, a União Pan-Americana passou a chamar-se Secretariado Geral da OEA.

1.4 Geografia

A América Latina localiza-se totalmente no hemisfério ocidental, sendo atravessada pelo Trópico de Câncer, que corta a parte central do México; pelo Equador, que passa pelo Brasil, Colômbia, Equador e toca o norte do Peru; e pelo Trópico de Capricórnio, que atravessa o Brasil, o Paraguai, a Argentina e o Chile.

A América Latina distribui-se de maneira irregular pelos hemisfério norte e sul, pois a maior parte de suas terras estende-se ao sul do Equador.

As terras da América Latina, em sua quase totalidade, localizam-se na zona climática intertropical; uma pequena parte situa-se na zona temperada do norte e uma área bem maior está localizada na zona temperada do sul.

Os limites da América Latina são: ao norte, os Estados Unidos; ao sul, a confluência das águas dos oceanos Atlântico e Pacífico; a leste, o oceano Atlântico; e a oeste, o oceano Pacífico.

Relevo

A América Latina, em qualquer latitude, apresenta, de oeste para leste, a mesma sequência de formas do relevo.

Assim, as principais unidades do relevo latino-americano são:

  • Planícies costeiras junto ao oceano Pacífico, que se apresentam bastante estreitas.
  • Altas cordilheiras formadas durante o período terciário, no qual ocorreu intenso tectonismo, com o posterior dobramento das camadas de rochas, o que provocou o aparecimento de cordilheiras.Apresentando altitudes superiores a 5 mil metros e picos geralmente cobertos por neve, as altas cordilheiras da América Latina resultaram ainda de outras manifestações tectônicas, como terremotos, e da ação de vários vulcões, alguns dos quais prontos para entrar em atividade.

No México a cordilheira recebe o nome de Sierra Madre e forma duas cristas paralelas (linhas no relevo que reúnem os pontos mais altos, denominadas Sierra Madre Ocidental e Sierra Madre Oriental. Na América Central, a continuação dessa cordilheira é constituida por serras, como as de Isabela e Talamanca. Na América do Sul, surgem os Andes, cujo ponto mais alto é o pico Aconcágua, com 6.959 metros, na Argentina. Tal como na Sierra Madre, os Andes apresentam cristas, entre as quais se localizam planaltos soerguidos, conhecidos na região como altiplanos, com altitudes superiores a 3 mil metros.

  • Extensas planícies fluviais, na América do Sul (Amazônica, do rio Orinoco, do rio Magdalena, Platina, do Pantanal ou Chaco, etc.), situadas entre as cordilheiras do oeste e os planaltos do leste.
  • Planaltos desgastados na parte leste da América do Sul, cujas altitudes são baixas, raramente ultrapassando 2 mil metros. Isso ocorre porque o relevo dessa área é constituído por rochas muito antigas, bastante desgastadas pela erosão e que não apresentam manifestações tectônicas. Fazem parte desse relevo os planaltos das Guianas e Brasileiro, cujos pontos mais elevados são os picos da Neblina, (3.014 metros), 31 de Março, da Bandeira, das Agulhas Negras.
  • Planícies costeiras junto ao oceano Atlântico, que ora se estreitam e desaparecem, entrar em atividade. permitindo o surgimento de falésias ou costas No México, a cordilheira recebe o nome de altas, ora se apresentam bastante largas, dando origem a extensas praias.

Clima

O clima de qualquer região depende de muitos fatores: latitude, altitude e disposição do relevo, massas de ar, continentalidade, maritimidade, correntes marítimas, etc. Uma menor ou maior latitude indica se uma área está mais próxima ou mais distante do Equador e, consequentemente, se é mais ou menos quente. Além disso, em função do relevo, essa área pode apresentar, conforme a altitude, diferentes faixas de temperatura.

Com base nisso, não é difícil deduzir que em quase toda a América Latina predominam altas temperaturas e que estas vão se reduzindo em direção ao Pólo Sul. Por isso, a parte meridional da América Latina, chamada de Cone Sul, é uma região de verões amenos e invernos frios.

Devido à sua alongada disposição norte-sul, que faz o território americano situar-se em diferentes latitudes, ele apresenta grande diversificação climática.

Na América Latina destacam-se os climas tropicais, úmidos ou secos, aparecendo, em alguns pontos, o tropical de altitude. Em meio a essa vasta extensão tropical, existe um trecho de clima equatorial, também muito amplo, marcado por reduzida amplitude térmica, elevadas temperaturas e chuvas constantes.

A partir do Trópico de Capricórnio, na América do Sul, os tipos climáticos dominantes modificam-se progressivamente com o aumento da latitude, passando a predominar os climas temperados e frios. A influência do relevo sobre a temperatura é mais nítida na parte oeste, onde as cordilheiras apresentam faixas de terras quentes, temperadas e frias. Essas faixas vão desaparecendo à medida que diminui a distância em relação ao pólo sul, onde mesmo ao nível do mar já se encontram áreas permanentemente geladas.

A influência do relevo sobre a temperatura é mais nítida na parte oeste, onde as cordilheiras apresentam faixas de rras quentes temperadas e frias. Essas faixas vão desaparecendo à medida que diminui a distância em relação ao Pólo Sul, onde mesmo ao nível do mar já se encontram áreas permanentemente geladas.

Na América Latina, os ventos contribuem para alterar o regime de chuvas e as próprias temperaturas Em alguns países da América do Sul, principalmente nos do centro-sul, é bastante nítida a redução brusca da temperatura quando chega uma frente fria.

As elevadas temperaturas da região equatorial atraem, durante o inverno, as massas de ar frio, que geralmente provocam chuvas e posterior declínio da temperatura em sua passagem. Durante o verão, no hemisfério austral, as temperaturas mais elevadas ocorrem na parte central da América do Sul, atraindo ventos do oceano Atlântico.

Como toda região predominantemente tropical, a América Latina apresenta grandes contrastes: algumas áreas muito úmidas e outras desérticas ou semidesérticas. As primeiras são comuns na parte equatorial da América do Sul ou em áreas litorâneas. Já as áreas desérticas surgem sobretudo quando o relevo impede a passagem de ventos úmidos para o interior). Existem alguns desertos (menos de 250 mm de chuvas anuais) na América Latina: Mexicano; de Atacama, entre o Chile e o Peru e da Patagônia, no sul da Argentina. Essa parte do continente americano apresenta também áreas semidesérticas nos planaltos mexicanos e no Polígono das Secas, no Nordeste brasileiro.

Essas áreas secas recebem pouquíssimas chuvas porque a disposição do relevo as isola do litoral, impedindo o contato com ventos úmidos. O deserto de Atacama formou-se devido à influência da corrente marítima de Humboldt que, ao esfriar as águas do Pacífico, provoca a condensação de nuvens saturadas de vapor de água ao nível do oceano, fazendo com que elas cheguem secas ao continente.

Hidrografia

Devido à disposição do relevo, a grande maioria dos rios da América Latina, é drenada de oeste para leste, pois o paredão da cordilheira dos Andes faz com que eles se dirijam para o Atlântico.

Sendo, de maneira geral, uma região bastante úmida, a América Latina possui, na maior parte de sua extensão, uma vasta rede hidrográfica. Destacam-se na América do Norte, o rio Grande, separando os Estados Unidos do México; na América Central, em Honduras, o rio Patuca. Na América do Sul, em sua porção norte, merecem destaque os rios Madalena, na Colômbia, e Orinoco (na Venezuela) que deságuam no mar das Antilhas e banham importante área agropastoril da fachada norte do continente, além de outros rios importantes que ganham projeção nas suas partes central e meridional, como o colossal Amazonas e os rios Paraná, Paraguai e Uruguai, que formam a bacia Platina, todos desaguando no oceano Atlântico.

A América Latina não apresenta, ao contrário da América do Norte, grandes extensões lacustres, mas ainda assim possui inúmeras lagoas costeiras, sobretudo na vertente atlântica, como a lagoa dos Patos, no Brasil; lagoas de inundação nas planícies Amazônica e do Orinoco; e lagos de altitude, como o Titicaca, entre o Peru e a Bolívia.

Vegetação

A maior parte da cobertura vegetal que revestia a América Latina até o século XVI já não existe mais. A vegetação somente foi preservada nos locais de pequeno interesse econômico ou em áreas de relevo abrupto. Mas, mesmo assim, é muito fácil reconstituir a formação vegetal primitiva, uma vez que ela era resultado do clima e do tipo de solo em que se desenvolveu. Assim, é possível identificar na região:

  • Vegetação de clima equatorial: florestas da Amazônia e de parte da América Central. São florestas emaranhadas, formadas por árvores de diversas alturas, de folhas largas, recobertas e circundadas por uma infinidade de trepadeiras e formações vegetais variadas, de tal maneira densas que até mesmo a luz do Sol tem dificuldade em atravessá-las.
  • Vegetação de clima tropical: florestas ou savanas, na maior parte da América Central e nas partes norte e central da América do Sul. As áreas mais úmidas são recobertas por densas e emaranhadas florestas nas regiões menos úmidas, ganha destaque a savana, constituída por árvores baixas e arbustos associados a uma vegetação rasteira, como o cerrado no Brasil, os Llanos na Venezuela e o Chaco na Argentina e no Paraguai. Nas áreas de clima tropical semiárido aparece uma vegetação ainda mais rarefeita, como é o caso da caatinga brasileira.

  • Vegetação de clima temperado: florestas temperadas ou subtropicais e pampas na Argentina, no Uruguai, Chile e sul do Brasil. As primeiras são matas de pinheiros, geralmente associados a outras espécies; os pampas constituem uma área de vegetação rasteira, excelente pastagem natural.
  • Vegetação de clima frio: coníferas no sul da Argentina e do Chile. Trata-se de uma formação florestal arbórea, com plantas que apresentam folhas muito duras e pontiagudas (aciculifoliadas).
  • Vegetação de altas montanhas: Nos Andes, a vegetação apresenta variações devido às elevadas altitudes, que ocasionam temperaturas mais baixas e pluviosidade reduzida.
  • Vegetação de clima desértico: Constituída principalmente por espécies arbustivas e xerófilas, caracteriza-se por ser uma formação vegetal muito esparsa. As punas do deserto de Atacama, no Chile e no Peru, sobressaem dentre as demais formações desérticas da América Latina, pois a altitude do relevo faz de sua área de ocorrência um deserto frio.

 

1.5 Divisão socioeconômica

Embora os problemas sociais, econômicos e políticos que atingem os países latinos sejam basicamente os mesmos, eles apresentam algumas diferenças que permitem distribuir esses países em quatro grandes grupos.

O Grupo 1 engloba países com graves problemas econômicos, mas sem grandes desníveis sociais. Três deles se localizam na América Central: Cuba, a única nação socialista do continente; Panamá, em cujo território foi construído um canal ligando o Atlântico ao Pacífico, o que acarretou a interferência norte-americana na região, já que foram os Estados Unidos que construíram esse canal e obtiveram o domínio da faixa territorial onde ele se situa; e, finalmente, Costa Rica, que difere de seus vizinhos pelo baixo índice de analfabetismo, baixa taxa de mortalidade infantil e ampla democracia política.

Governada pelo ditador Fulgêncio Batista, Cuba era um dos países mais pobres de toda a América Latina. Sua economia esteve fortemente vinculada a norte-americana até 1959, quando a Revolução Cubana, liderada por Fidel Castro, depôs o governo de Batista. Foi realizada a reforma agrária e bens e empresas — norte-americanos em sua maioria — foram nacionalizados.

Os Estados Unidos cortaram relações diplomáticas com o novo regime cubano, que se alinhou com a extinta União Soviética, adotando o socialismo como sistema de governo. Em represália, os Estados Unidos impuseram um embargo econômico a ilha, impedindo cidadãos ou empresas norte-americanas de negociar com Cuba e pressionaram para que os demais países ocidentais fizessem o mesmo.

A partir de então, isolada, Cuba estabeleceu relações comerciais exclusivamente com os países socialistas. as termos eram muito vantajosos: recebia uma ajuda anual de 10 bilhões de dólares, vendia açúcar a preços superiores aos do mercado internacional e importava bens a preços menores. Tudo isso permitiu que Cuba conseguisse avanços muito significativos em seu quadro social, sobretudo nos setores de saúde e educação.

Porém, com o colapso dos regimes socialistas, que culminou com a extinção da União Soviética em 1991, as vantagens de que Cuba desfrutava junto a esses países foram cortadas. A situação cubana tornou-se crítica, refletindo-se nas condições de vida de sua população. Enfrentando graves problemas, como racionamento de alimentos e energia, e cada vez maior o número de cubanos que deixam Cuba, especialmente para morar nos Estados Unidos, a poucos quilômetros da costa da ilha.

Os outros três países do Grupo 1, localizados na América do Sul, Argentina, Uruguai e Chile, os mais meridionais do continente, que formam o chamado Cone Sul. Em comparação com o restante da América Latina, esses países apresentam reduzidas taxas de analfabetismo, elevado percentual de estudantes universitários e satisfatórias condições de moradia, de atendimento médico-hospitalar e de alimentação, guardando ate mesmo muitas semelhanças com países do sul da Europa.

Com exceção do Chile, a maioria da população desses países e constituída por brancos, com forte participacão dos europeus, sobretudo de ascendência espanhola e italiana, devido a migração que ocorreu a partir do século XVIII. As cidades rurais e urbanas apresentam relativo equilíbrio socioeconômico entre si. Em media. mais de 80% da população vive nas cidades, o que facilita o atendimento médico, escolar, etc.

O Grupo 2 reúne pafses com acentuadas diferenças sociais e econômicas entre o meio rural e o urbano: México, Brasil, Colômbia e Venezuela. Todos têm grande extensão territorial e revelam sensível disparidade entre o meio urbano — industrializado e desenvolvido, embora com grandes bolsões de miséria — e o meio rural, no qual a maior parte das terras concentra-se nas mãos de poderosos latifundiários e a população camponesa geralmente e muito pobre, mal alimentada e quase sempre analfabeta.

Por apresentarem essa divisão tão nítida, sao chamados países de contrastes. A zona rural, devido a influência das grandes cidades, sofre contínuo esvaziamento, que tern como consequência imediata o excesso de população urbana e a formação de cortiços e favelas.

A Colômbia tem enfrentado um sério problema: o combate a produção e ao tráfico de drogas, especialmente cocaína. Num país com tamanhos desníveis socioeconômicos, essa atividade, que movimenta somas milionárias, tem dominado e envolvido grandes parcelas da população.

No Grupo 3 enquadram-se países pobres, de estrutura social e econômica arcaica: na América do Sul, Equador, Peru, Bolívia e Paraguai; na América Central, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Jamaica, Haiti e República Dominicana. Os integrantes desse grupo tem como características renda per capita geralmente muito baixa, graves problemas de subnutrição, altas taxas de natalidade e de mortalidade, sobretudo infantil, elevados índices de analfabetismo, desigual distribuição de terras e, consequentemente, de riqueza e de poder.

Os países do Grupo 4 ou são territorialmente minúsculos, apresentando área total muitas vezes equivalente à de um município brasileiro, ou têm população absoluta pequena, geralmente inferior a um milhão de habitantes, ou ambas as coisas. Nesse grupo podemos incluir Guiana e Suriname, na América do Sul; Belize, na América Central; e os seguintes países das Antilhas: Antígua e Barbuda, Bahamas, Barbados, Dominica, Granada, Santa Lúcia, São Cristóvão e Névis, São Vicente e Granadinas e Trinidad e Tobago.

Esses países, devido ao seu tamanho, ocupam uma posição especial entre os países subdesenvolvidos da América Latina, com problemas de natureza diferente daqueles dos países com grande área e população. A maior parte deles tornou-se independente nos últimos vinte anos, depois de séculos de colonização europeia. Sua atividade econômica de maior destaque é o turismo, a monoexportação de produtos agrícolas (banana, cana-de-açúcar, etc.) ou a exportação de algum mineral valioso.

O “Hemisfério Americano” experimenta profundas fissuras políticas e ideológicas

A aproximação política e diplomática entre Brasil e Argentina, na década de 1980, inverteu o sentido conflitivo das relações diplomáticas no conjunto da área platina. O caminho que conduziu à Ata de Iguaçu, de 1985, foi aberto pelos processos de redemocratização dos dois parceiros. A continuidade dessa trajetória, com o estabelecimento do Acordo de Complementação Econômica (ACE-14), de 1990, e a assinatura do Tratado do Mercosul, em Assunção, em 1991, orientou-se já pela lógica da inserção regional na economia mundial em processo de globalização.

Com a entrada em vigor da zona de livre comércio prevista pelo Tratado de Assunção, o Mercosul transformou-se em realidade econômica e prioridade diplomática para os quatro países envolvidos. A expansão sustentada do comércio intrabloco, até 1997, produziu efeitos estruturais sobre as economias nacionais, revelando as vantagens comparativas de cada parceiro e aprofundando especializações setoriais. A integração comercial repercutiu positivamente na esfera das decisões de investimentos das corporações transnacionais, que começaram a estabelecer cadeias produtivas interligadas na área do Mercosul.

O Mercosul alcançou o seu zênite em meados da década de 1990. A zona de livre comércio evoluiu para uma união aduaneira, através da fixação da Tarifa Externa Comum (TEC). Na conjuntura aberta pela crise mexicana, a paralisia diplomática de Washington abriu caminho para as iniciativas de consolidação e expansão do bloco do Cone Sul. O Chile e a Bolívia firmaram tratados de livre comércio com o Mercosul. A Comunidade Andina abriu negociações para um tratado do mesmo tipo. O Brasil assumia a liderança da integração sul-americana.

No ano 2000, sob patrocínio brasileiro, a Conferência de Brasília reuniu os chefes de Estado do subcontinente e lançou o projeto da Comunidade Sul-Americana de Nações (CASA), que depois seria rebatizada como União de Nações Sul-Americanas (UNA-SUL). A etapa derradeira de negociações da Alca foi aberta em 2003 e logo empacou nas divergências de fundo entre Estados Unidos, de um lado, e Brasil e Argentina, de outro. Três anos mais tarde, sem uma decisão formal, o projeto da Alca foi tacitamente abandonado.

Três projetos divergentes

O esteio do Mercosul é a parceria entre o Brasil e a Argentina. A superação da antiga rivalidade platina constituiu uma reviravolta histórica. Na década de 90, o chanceler Luiz Felipe Lampreia definiu as relações entre Brasil e Argentina como uma “aliança estratégica”. O bloco do Cone Sul assentou-se sobre o eixo platino mas, desde o início, abriu um horizonte mais amplo, que é o da integração da América do Sul.

Com o fracasso das negociações da Alca, o Brasil multiplicou as iniciativas voltadas para a integração sul-americana. A Declaração de Cuzco, de 2006, estabeleceu a UNA- SUL, da qual participam todos os Estados da América do Sul. Em seguida, iniciaram-se entendimentos para a criação de um banco regional de investimentos, o Banco do Sul, e foi lança da a proposta de um Conselho Sul-Americano de Defesa, que adotaria resoluções comuns sobre segurança regional. O projeto tem como metas principais a formação de uma zona de livre comércio subcontinental, que seria fruto de um acordo entre Mercosul e Comunidade Andina, e a integração física – ou seja, viária e energética, entre as nações sul-americanas.

América do Sul é o conjunto que faz sentido para o Brasil. Mas o projeto de integração sul-americana convive, de modo tenso e contraditório, com as iniciativas pan-americanas dos Estados Unidos e com a estratégia latino-americana da Venezuela de Hugo Chávez.

Washington renunciou à Alca, ao menos provisoriamente, mas não desistiu de consolidar a sua influência comercial e econômica no “Hemisfério Americano”. Para isso, em substituição à ideia de um grande acordo comercial hernisférico, engajou-se no estabelecimento de tratados de livre comércio (TICs) bilaterais com países da América Latina. O Nafta é o modelo desses TICs, que não se circunscrevem ao intercâmbio de mercadorias, abrangendo também o comércio de serviços e a proteção de investimentos estrangeiros.

Entre 2000 e 2007, os Estados Unidos firmaram, na América do Sul, TICs com Chile, Peru e Equador. Além disso, estabeleceram um tratado comercial bilateral com os países da América Central. Esse tratado, denominado DR-Cafta (Acordo de Livre Comércio da América Central e República Dominicana) abrange os países do istmo centro-americano, com exceção do Panamá, e a República Dominicana, no Caribe.

A estratégia de Chávez não tem como meta desenvolver o comércio ou estimular investimentos privados, mas integrar politicamente os países latino-americanos num bloco de oposição aos Estados Unidos e à globalização. A sua meta revolucionária a unidade geopolítica da América Latina, sob a liderança da Venezuela.

O eixo da política externa chavista é a formação da Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba), um acordo de integração firmado em 2004 entre Venezuela e Cuba. Em 2008, participavam da Alba, além dos dois países fundadores, Bolívia, Nicarágua e Dominica. O Equador e o arquipélago de São Vicente e Granadinas, nas Pequenas Antilhas, negociavam a sua adesão. A projeção da influência da Venezuela no Caribe realiza-se, sobretudo, por meio da Petrocaribe, um acordo entre a estatal petrolífera venezuelana PDVSA e países da região para a aquisição de petróleo em condições preferenciais.

Os três projetos não são convergentes, mas concorrentes. A visão hemisférica de Washington fundamenta-se no conceito de hegemonia continental dos Estados Unidos e não se coaduna com a existência de blocos econômicos regionais como o Mercosul ou a América do Sul. A visão da Venezuela chavista conflita com o conceito de livre comércio e exige uma ruptura estratégica entre América Latina e Estados Unidos. A visão brasileira, por seu lado, procura conciliar a lógica da globalização com a idéia de integração política e econômica da América do Sul.